O crescente interesse por terapias adjuvantes naturais na odontologia tem impulsionado pesquisas sobre compostos bioativos com potencial anti-inflamatório e antimicrobiano. O CBD, fitocanabinoide não psicoativo da Cannabis sativa, e o espilantol, composto extraído da planta jambu (Acmella oleracea), emergiram como candidatos promissores — especialmente quando combinados em formulações de uso oral.
O que é a gengivite induzida por placa bacteriana?
A gengivite é uma condição inflamatória da gengiva causada pela interação entre o biofilme dental (placa bacteriana) e a resposta imunológica do organismo. É caracterizada por:
- Sangramento gengival ao toque ou escovação
- Enrubescimento e edema da gengiva
- Sensibilidade gengival aumentada
- Mau hálito associado à carga bacteriana
Se não tratada, pode evoluir para a periodontite, condição mais grave que envolve destruição do osso alveolar e perda dental. Embora a higienização mecânica — escovação e fio dental — seja fundamental, terapias adjuvantes podem potencializar os resultados clínicos.
O espilantol: um bioativo promissor do jambu
O espilantol é o principal composto bioativo da planta jambu (Acmella oleracea), amplamente conhecida na culinária e medicina popular brasileira. Do ponto de vista farmacológico, o espilantol apresenta propriedades:
- Anti-inflamatórias: inibe vias de sinalização inflamatória relevantes para a gençivite
- Antimicrobianas: atua contra bactérias periodontopatogênicas
- Analgésicas: modula receptores envolvidos na percepção de dor oral
- Imunomoduladoras: pode regular a resposta imune local na mucosa gengival
Combinado ao CBD, que também apresenta atividade anti-inflamatória, antimicrobiana e moduladora do Sistema Endocanabinoide, o espilantol forma um par farmacológico com potencial sinérgico relevante para a saúde bucal.
O estudo clínico: metodologia e resultados
O ensaio clínico de Kiłbratowski et al. (2025), publicado no Journal of Clinical Medicine, avaliou a eficácia de um enxaguante bucal contendo espilantol e CBD, comparando seus efeitos com um produto à base de óleo de melaleuca, conhecido por suas propriedades antimicrobianas.
Os pacientes que utilizaram o enxaguante com a combinação de espilantol, CBD e óleo de melaleuca apresentaram resultados clínicos superiores:
- Redução significativa no sangramento gengival
- Melhor controle da placa bacteriana em comparação ao grupo controle
- Efeito anti-inflamatório mais expressivo do que o produto apenas com óleo de melaleuca
- Manutenção da homeostase da microbiota oral, fundamental para a saúde bucal a longo prazo
Implicações para a prática odontológica
Os resultados sugerem que o enxaguante contendo espilantol e CBD pode ser um coadjuvante eficaz no tratamento da gengivite, oferecendo potenciais benefícios clínicos superiores em relação aos enxaguantes convencionais. Para o cirurgião-dentista, esse tipo de formulação representa uma possibilidade de:
- Ampliar o arsenal terapêutico no manejo da gengivite
- Oferecer opções mais naturais e biocompatíveis aos pacientes
- Potencializar os resultados da higienização mecânica
- Contribuir para a manutenção da saúde periodontal em longo prazo
Embora os resultados sejam promissores, ainda são necessárias mais pesquisas para confirmar os efeitos e garantir a segurança e eficácia em longo prazo dessas formulações. A inovação no tratamento da gengivite, aliando compostos naturais e terapias convencionais, pode abrir novas fronteiras para a odontologia integrativa.
Perguntas frequentes
O espilantol é o principal composto bioativo da planta jambu (Acmella oleracea), conhecida na culinária e medicina popular brasileira pela sensação de formigamento que provoca. Do ponto de vista farmacológico, apresenta propriedades anti-inflamatórias, antimicrobianas, analgésicas e imunomoduladoras, tornando-o um candidato promissor para formulações de uso oral.
O ensaio clínico de Kiłbratowski et al. (2025), publicado no Journal of Clinical Medicine, demonstrou que pacientes usando enxaguante com espilantol, CBD e óleo de melaleuca apresentaram redução significativa no sangramento gengival, melhor controle da placa bacteriana, efeito anti-inflamatório mais expressivo e manutenção da homeostase da microbiota oral, em comparação ao grupo usando apenas óleo de melaleuca.
Não. O Canabidiol (CBD) é um fitocanabinoide não psicoativo, sem efeitos psicotrópicos. Quando utilizado em formulações tópicas orais como enxaguantes, sua ação é local, focada na modulação da inflamação gengival e na atividade antimicrobiana. Não há absorção sistêmica significativa nesse tipo de formulação.
Não. O enxaguante é indicado como terapia adjuvante, não substitutiva. A higienização mecânica — escovação e uso do fio dental — continua sendo fundamental para o controle do biofilme dental e a prevenção da gengivite. O enxaguante complementa esses procedimentos, potencializando o efeito anti-inflamatório e antimicrobiano.
O estudo demonstrou resultados promissores em ensaio clínico, mas ainda são necessárias mais pesquisas para confirmar a eficácia e segurança a longo prazo. A disponibilidade comercial depende de registros regulatórios específicos. O cirurgião-dentista interessado deve acompanhar a evolução da pesquisa e as normas da Anvisa para produtos à base de CBD de uso oral.
Kiłbratowski M, et al. Evaluation of the Effectiveness of a Mouthwash Containing Spilanthol and Cannabidiol on Improving Oral Health in Patients with Gingivitis—Clinical Trial. Journal of Clinical Medicine. 2025.
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