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Canabidiol pode ajudar no tratamento do bruxismo do sono e dores na mandíbula, aponta estudo

Canabidiol pode ajudar no tratamento do bruxismo
Um estudo clínico randomizado e duplo-cego publicado revelou dados expressivos: o uso de Canabidiol (CBD) reduziu em até 57% a dor e 51% o bruxismo do sono em pacientes com disfunções temporomandibulares.

O bruxismo do sono e as disfunções temporomandibulares (DTMs) representam um desafio frequente na clínica odontológica, especialmente pela associação com estresse crônico, hiperatividade muscular e dor orofacial persistente. O CBD, fitocanabinoide não psicotrópico da Cannabis sativa, vem se destacando por suas propriedades ansiolíticas, anti-inflamatórias e moduladoras do tônus muscular — um perfil farmacológico com potencial diretamente relevante para essas condições.

O que são DTMs e bruxismo do sono?

As disfunções temporomandibulares (DTMs) são condições que afetam a articulação temporomandibular e os músculos responsáveis pelos movimentos de mastigação. Seus principais sinais e sintomas incluem:

  • Dor na articulação da mandíbula e na face
  • Estalos ou crepitação ao abrir e fechar a boca
  • Travamento ou limitação de abertura bucal
  • Cefáleia de origem muscular
  • Tensão crônica na musculatura mastigória

Já o bruxismo do sono é caracterizado pelo ato involuntário de apertar ou ranger os dentes durante a noite, podendo causar desgaste dentário, dores de cabeça, distúrbios do sono e tensão muscular crônica na região da face. Ambas as condições frequentemente coexistem e têm relação com estresse, ansiedade e distúrbios neuromusculares.

O estudo: metodologia com 60 pacientes

O estudo clínico de Pasinato et al. (2024) foi conduzido com 60 pacientes diagnosticados com DTMs musculares e bruxismo do sono, seguindo critérios diagnósticos padronizados (RDC/TMDs). Os participantes foram divididos em três grupos:

  • Grupo 1a: CBD com 10% de concentração
  • Grupo 1b: CBD com 5% de concentração
  • Grupo 2: placebo

As avaliações ocorreram em quatro momentos: triagem, linha de base, acompanhamento em 14 dias e em 30 dias. Foram utilizados exames como eletromiografia de superfície (sEMG), escalas visuais analógicas de dor e testes específicos de bruxismo (Bruxoff), garantindo objetividade e reprodutibilidade nos resultados.

Resultados: redução expressiva da dor, tensão e bruxismo

Os dados demonstraram melhora significativa nos grupos que usaram CBD, especialmente na concentração de 10%:

  • Redução da dor: CBD 10% → 57,4% de redução (p < 0,05) | CBD 5% → 40,8% de redução (p < 0,05)
  • Diminuição da tensão muscular (sEMG): CBD 10% → 42,1% de redução da atividade muscular (p < 0,05)
  • Redução da intensidade do bruxismo: CBD 10% → 51% de diminuição no índice de bruxismo (p < 0,05)

O grupo placebo não apresentou mudanças significativas em nenhum dos parâmetros avaliados, reforçando a associação direta entre o uso do CBD e os benefícios clínicos observados.

Mecanismos de ação do CBD no bruxismo e nas DTMs

Os resultados expressivos do estudo são consistentes com o perfil farmacológico do CBD. Suas propriedades de maior relevância para o manejo do bruxismo e das DTMs incluem:

  • Ação ansiolítica: reduz o estresse e a ansiedade, fatores frequentemente associados ao bruxismo do sono
  • Efeito miorrelaxante: modula a hiperatividade da musculatura mastigória, reduzindo a tensão muscular crônica
  • Propriedades anti-inflamatórias: contribuem para a redução da dor orofacial e da inflação articular
  • Modulação do sono: pode contribuir para a melhora da qualidade do sono, reduzindo a frequência dos episódios noturnos de bruxismo

Esses mecanismos, atuando de forma complementar, explicam por que o CBD apresenta potencial terapêutico relevante em uma condição multifatorial como o bruxismo do sono associado às DTMs.

Implicações clínicas para o cirurgião-dentista

O estudo reforça a eficácia do uso intraoral de CBD no tratamento de DTMs musculares e bruxismo do sono, oferecendo uma abordagem promissora, especialmente para pacientes que buscam terapias com menos efeitos colaterais que os medicamentos tradicionais.

Para o cirurgião-dentista, esses dados ampliam as possibilidades de manejo clínico em casos de bruxismo refratário ou DTMs com componente emocional/ansioso significativo. O CBD pode ser incorporado ao protocolo terapêutico como coadjuvante, sempre com prescrição individualizada, titulação adequada e acompanhamento clínico rigoroso.

Perguntas frequentes

Sim, segundo o estudo clínico randomizado de Pasinato et al. (2024). Com o uso de CBD a 10% de concentração por via intraoral, os pacientes apresentaram redução de 51% no índice de bruxismo avaliado pelo teste Bruxoff, 57,4% de redução da dor e 42,1% de diminuição da atividade muscular medida por eletromiografia de superfície (sEMG), em comparação ao grupo placebo.

O grupo com CBD a 10% apresentou resultados superiores ao grupo com CBD a 5% em todos os parâmetros avaliados. Com CBD 10%: 57,4% de redução da dor, 42,1% de redução da tensão muscular e 51% de redução na intensidade do bruxismo. Com CBD 5%: 40,8% de redução da dor. Esses dados sugerem uma relação dose-dependente nos efeitos do CBD para essa indicação.

O CBD apresenta propriedades ansiolíticas (reduzindo o estresse associado ao bruxismo), miorrelaxantes (diminuindo a hiperatividade muscular mastigória), anti-inflamatórias (contribuindo para o alívio da dor orofacial) e moduladoras do sono (podendo reduzir a frequência dos episódios noturnos de bruxismo). Esse perfil multimão é especialmente relevante para uma condição multifatorial como o bruxismo do sono associado às DTMs.

Não. O CBD é indicado como terapia adjuvante, não substitutiva. A placa oclusal continua sendo um dos principais dispositivos de proteção dentária no bruxismo do sono. O CBD pode potencializar os resultados clínicos ao atuar sobre os componentes musculares, álgicos e ansiosos da condição, que a placa não trata diretamente.

Sim. No Brasil, cirurgiões-dentistas são profissionais legalmente habilitados para prescrever produtos à base de Cannabis dentro dos critérios técnicos e clínicos estabelecidos pela Anvisa. A prescrição deve ser individualizada, com avaliação clínica critériosa do paciente, titulação adequada e acompanhamento rigoroso da resposta terapêutica.

Referência científica

Pasinato A, et al. Intervention with cannabidiol for muscle tension, pain, and sleep bruxism intensity: A randomized, double-blind clinical trial. Journal of Clinical Medicine. 2024. PMID disponível no PubMed.

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