Segundo a estimativa mais recente do Instituto Nacional de Câncer (INCA), são esperados 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil entre 2026 e 2028, o equivalente a 71,57 casos para cada 100 mil mulheres. Excluindo os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama corresponde a 30% dos casos de câncer estimados entre as mulheres brasileiras, ocupando a primeira posição em incidência nesse grupo.
Para além do controle tumoral, a assistência oncológica deve contemplar os efeitos da própria doença e das intervenções terapêuticas sobre funcionalidade, saúde mental, sintomas e qualidade de vida. O cuidado da paciente com câncer de mama, portanto, exige uma abordagem longitudinal, integrada e individualizada, desde a prevenção e o diagnóstico até o tratamento, a reabilitação e o seguimento.
O tratamento oncológico e seus desafios
Os avanços da oncologia têm proporcionado melhores resultados no tratamento do câncer de mama. No entanto, terapias como quimioterapia, radioterapia e alguns tratamentos sistêmicos podem estar associadas a efeitos adversos que impactam o bem-estar das pacientes.
Entre os sintomas mais frequentemente relatados estão:
- Náuseas e vômitos
- Dor
- Redução do apetite
- Alterações do sono
- Ansiedade
- Fadiga
O manejo desses sintomas faz parte do cuidado integral ao paciente oncológico e pode contribuir para uma melhor qualidade de vida durante o tratamento.
O potencial da Cannabis medicinal no cuidado oncológico
A Cannabis medicinal vem sendo estudada em diferentes áreas da oncologia, especialmente no manejo de sintomas associados ao tratamento antineoplásico.
Os fitocanabinoides, como o Canabidiol (CBD) e o Tetrahidrocanabinol (THC), interagem com o Sistema Endocanabinoide, que participa da modulação de processos fisiológicos relacionados à dor, ao apetite, às náuseas, ao sono e à resposta ao estresse.
Estudos clínicos têm investigado o potencial desses compostos para contribuir no manejo de náuseas e vômitos induzidos pela quimioterapia, dor relacionada ao câncer e outros sintomas que podem comprometer a qualidade de vida durante o tratamento.
Sistema Endocanabinoide e qualidade de vida
O Sistema Endocanabinoide exerce um papel importante na manutenção da homeostase do organismo.
Sua participação em funções como percepção da dor, resposta inflamatória, controle do apetite, humor e sono tem motivado um número crescente de pesquisas envolvendo Cannabis medicinal em diferentes especialidades médicas. Esse avanço científico tem ampliado a compreensão sobre o potencial terapêutico dos fitocanabinoides como parte de uma abordagem individualizada e baseada em evidências.
A importância da atualização científica
O número de estudos envolvendo Cannabis medicinal na oncologia cresce continuamente.
Para profissionais da saúde, acompanhar essa evolução é essencial para compreender os mecanismos de ação dos fitocanabinoides, interpretar criticamente a literatura científica e conhecer as diferentes aplicações clínicas investigadas pela pesquisa.
A educação continuada permite que médicos e outros profissionais atuem com maior segurança e fundamentação científica ao avaliar novas possibilidades terapêuticas.
Outubro Rosa: informação também faz parte do cuidado
A campanha Outubro Rosa reforça que o diagnóstico precoce continua sendo um dos principais aliados no combate ao câncer de mama.
Além da realização dos exames recomendados e do acompanhamento médico, promover informação de qualidade contribui para que pacientes e profissionais compreendam melhor as diferentes estratégias disponíveis para o cuidado oncológico e para a promoção da qualidade de vida.
O tratamento do câncer de mama envolve uma abordagem multidisciplinar voltada não apenas ao controle da doença, mas também ao bem-estar da paciente ao longo de toda a jornada terapêutica, e a Cannabis medicinal tem despertado crescente interesse científico nesse contexto.
Perguntas frequentes
O Outubro Rosa é uma campanha mundial de conscientização sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento do câncer de mama. Segundo o INCA, esse é um dos tipos de câncer com maior incidência no Brasil, reforçando a importância do rastreamento e do acompanhamento médico regular.
Estudos clínicos têm investigado o potencial dos fitocanabinoides no manejo de náuseas e vômitos induzidos pela quimioterapia, dor relacionada ao câncer, redução do apetite, alterações do sono e outros sintomas que podem comprometer a qualidade de vida durante o tratamento oncológico.
O Sistema Endocanabinoide exerce papel importante na manutenção da homeostase do organismo, participando de funções como percepção da dor, resposta inflamatória, controle do apetite, humor e sono. Por isso, sua modulação pelos fitocanabinoides tem sido investigada como abordagem complementar em pacientes oncológicos.
Não. O potencial da Cannabis medicinal está relacionado principalmente ao manejo de sintomas associados ao tratamento oncológico, contribuindo para a qualidade de vida da paciente. O tratamento do câncer de mama envolve abordagem multidisciplinar, sendo os fitocanabinoides estudados como recurso complementar.
O número de estudos envolvendo Cannabis medicinal na oncologia cresce continuamente. Acompanhar essa evolução permite compreender os mecanismos de ação dos fitocanabinoides, interpretar criticamente a literatura científica e oferecer uma prática clínica cada vez mais segura e fundamentada.
- Instituto Nacional de Câncer (INCA). Câncer de Mama. Disponível em: gov.br/inca
- Smith A, Olson RE, da Costa NC, et al. Quality of life beyond measure: Advanced cancer patients, wellbeing and medicinal cannabis. Sociol Health Illn. 2023;45(8):1709-1729.
- Byars T, Theisen E, Bolton DL. Using Cannabis to Treat Cancer-Related Pain. Semin Oncol Nurs. 2019;35(3):300-309.
- Guggisberg J, Schumacher M, Gilmore G, Zylla DM. Cannabis as an Anticancer Agent: A Review of Clinical Data and Assessment of Case Reports. Cannabis Cannabinoid Res. 2022;7(1):24-33.
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