Fundado em 2008 por Cassidy Megan, uma jovem canadense diagnosticada com epilepsia, o movimento incentiva indivíduos ao redor do mundo a vestirem roxo e promover eventos que disseminem informações sobre a doença. A data também se tornou uma oportunidade para revisitar os avanços científicos no tratamento da epilepsia, incluindo o crescente papel da Cannabis medicinal nos casos refratários às terapias convencionais.
O que é a epilepsia e por que a conscientização importa
A epilepsia é caracterizada por crises recorrentes devido a descargas elétricas anormais no cérebro, afetando pessoas de todas as idades. É uma das condições neurológicas crônicas mais comuns no mundo, mas ainda carrega estigmas sociais significativos, muitas vezes associados a desinformação sobre suas causas e manifestações.
Embora existam diversos tratamentos disponíveis, incluindo fármacos anticonvulsivantes de diferentes gerações, aproximadamente 30% dos pacientes continuam a apresentar crises que são resistentes às terapias convencionais — quadro conhecido como epilepsia farmacorresistente ou refratária. Esse percentual expressivo justifica a busca contínua por novas alternativas terapêuticas.
Uso da Cannabis no tratamento da epilepsia
Nos últimos anos, a Cannabis tem sido objeto de estudos científicos visando seu potencial terapêutico no tratamento de distúrbios do sistema nervoso central, incluindo a epilepsia. De acordo com uma revisão publicada no Frontiers in Pharmacology, os canabinoides, especialmente o Canabidiol (CBD), demonstram propriedades anticonvulsivantes promissoras.
O CBD atua modulando receptores no Sistema Endocanabinoide, o que pode contribuir para a redução da frequência e intensidade das crises epilépticas. Esse mecanismo de ação, embora ainda em investigação completa, envolve a modulação de canais iônicos e da excitabilidade neuronal, contribuindo para a estabilização da atividade elétrica cerebral.
Perfil de segurança e evidências clínicas
Estudos clínicos indicam que o CBD é geralmente bem tolerado pelos pacientes, apresentando um perfil de segurança favorável mesmo em uso prolongado. Esses achados são especialmente relevantes para populações pediátricas com síndromes epilépticas graves, como Dravet e Lennox-Gastaut, onde o controle das crises tem impacto direto no desenvolvimento neurológico e na qualidade de vida.
Esses resultados ressaltam o potencial da Cannabis medicinal no tratamento da epilepsia, incentivando a realização de mais pesquisas para aprofundar seu entendimento e definir protocolos terapêuticos padronizados, especialmente para as formas de epilepsia que ainda não possuem consenso clínico estabelecido.
O papel do Purple Day na educação e no combate ao estigma
O Purple Day desempenha um importante papel na educação sobre o tema e no combate ao estigma relacionado à epilepsia. Ao promover a conscientização global, a iniciativa contribui para que pacientes e familiares se sintam mais amparados e informados sobre as opções terapêuticas disponíveis.
Paralelamente, as pesquisas sobre o uso da Cannabis como opção terapêutica ajudam pacientes que não respondem às terapias tradicionais a encontrarem novas possibilidades de controle da doença. Contudo, é imperativo que tais tratamentos sejam administrados sob supervisão de um profissional prescritor de Cannabis medicinal, com acompanhamento clínico individualizado e baseado em evidências científicas.
Perguntas frequentes
O Purple Day é uma iniciativa internacional de conscientização sobre epilepsia, celebrada anualmente em 26 de março. Foi fundado em 2008 por Cassidy Megan, uma jovem canadense diagnosticada com epilepsia, e incentiva pessoas ao redor do mundo a vestirem roxo e participarem de eventos educativos sobre a doença, contribuindo para reduzir o estigma associado à condição.
Epilepsia refratária ou farmacorresistente é aquela em que as crises não respondem adequadamente aos tratamentos convencionais com anticonvulsivantes. Aproximadamente 30% dos pacientes com epilepsia apresentam esse quadro, o que justifica a busca contínua por alternativas terapêuticas, incluindo os fitocanabinoides.
O CBD atua modulando receptores do Sistema Endocanabinoide, contribuindo para a redução da frequência e intensidade das crises epilépticas. Seu mecanismo envolve a modulação de canais iônicos e da excitabilidade neuronal, ajudando a estabilizar a atividade elétrica cerebral, conforme apontado por revisões publicadas no Frontiers in Pharmacology.
Estudos clínicos indicam que o CBD é geralmente bem tolerado, com perfil de segurança favorável, inclusive em populações pediátricas com síndromes epilépticas graves como Dravet e Lennox-Gastaut. Ainda assim, o uso deve sempre ser conduzido sob supervisão de profissional prescritor de Cannabis medicinal, com titulação e monitoramento adequados.
Não necessariamente. Na maioria dos casos, o CBD é utilizado como terapia adjuvante aos anticonvulsivantes convencionais, especialmente em quadros refratários. A decisão terapêutica deve ser sempre individualizada, conduzida por profissional habilitado em medicina canabinoide, considerando o tipo de epilepsia, histórico clínico e resposta ao tratamento em curso.
Ortiz Yuma T, et al. Medicinal Cannabis and Central Nervous System Disorders. Frontiers in Pharmacology. 2022.
Prescreva canabinoides com segurança no manejo da epilepsia
A Vigo Academy é uma plataforma de educação que possui ferramentas como mentoria individual ou em grupo, grupos de discussão da prática clínica, além de um acervo de artigos científicos catalogados por patologias. Inscreva-se e transforme sua prática clínica!






